Crianças e adolescentes dessa geração são nativos digitais: já nasceram cercados de tecnologia por todos os lados – televisões, tablets, celulares e computadores, com internet cada vez mais rápida e acessível.

O brilho das telas, a possibilidade de desenhos e músicas intermináveis e uma comunicação bem direta fazem com que esses dispositivos sejam quase irresistíveis.

tecnologias para crianças e adolescentes

E como o contato das nossas crianças com as mais variadas formas de tecnologia é inevitável, precisamos refletir sobre esse assunto, para que esse uso seja o mais saudável possível.

Afinal, quanto tempo uma criança pode passar na frente das telas? Há um limite de uso? Será que realmente precisamos nos preocupar?

Muitos pais consideram um benefício o fato de que as crianças aprendam muitas coisas em jogos educativos e fiquem “bem-comportadas” quando estão em frente às telas, transformando celulares e tablets em babás modernas.

Mas devemos lembrar que o objetivo não é ter crianças passivas, hipnotizadas pelas telas, e sim crianças saudáveis e que possam interagir com o mundo ao seu redor. 

Os três primeiros anos de vida são considerados cruciais no desenvolvimento infantil, com grande adaptação do cérebro em relação às experiências vividas.

O uso indiscriminado das telas faz com que as crianças explorem mais os sentidos de visão e audição, mas tenham menos interesse em atividades motoras, percepção corporal, orientação espacial e interação com outras pessoas. Com isso, o desenvolvimento da linguagem também fica prejudicado.

Devemos lembrar que em todas as idades as crianças estão aprendendo a interagir e se comportar em diversas atividades rotineiras, como andar de carro, fazer compras, ir ao restaurante

E não devem estar o tempo todo distraídas nessas atividades, mas atentas ao que acontece ao seu redor, aprendendo a se relacionar, o que inclui passar pelos inevitáveis momentos de tédio, de espera, e buscar soluções criativas para lidar com momentos desconfortáveis ou não tão divertidos do dia a dia.

Crianças e adolescentes são mais vulneráveis ao consumo de material inadequado e contato com pessoas desconhecidas, na maioria das vezes sem consciência dos riscos desses comportamentos.

É dever dos pais assegurar a proteção integral à criança e ao adolescente, o que inclui verificar o material a que são expostos na internet, estabelecendo o tempo de uso e a qualidade do que se assiste.

Além disso, crianças e adolescentes devem ser conscientizados também sobre a necessidade de ter hábitos saudáveis e conversar sobre as questões surgidas no ambiente virtual, incluindo o cyberbulling.

Tecnologias para crianças e adolescentes

A Sociedade Brasileira de Pediatria estabeleceu algumas diretrizes para orientar aos pais quanto ao bom uso das tecnologias:

  • O tempo de uso deve ser limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento das crianças
  • Evitar ao máximo a exposição de crianças menores que 2 anos a telas, especialmente de celulares e tablets
  • Não utilizar, em qualquer idade, tablets e celulares na hora das refeições e na hora de dormir
  • De 2 a 5 anos, o tempo de tela deve ser no máximo de 1h por dia
  • Entre 0-10 anos, evitar televisão e computador no próprio quarto
  • Adolescentes não devem ficar isolados por muitas horas em seus quartos e devem ter limitação do horário para dormir
  • Sempre avaliar o conteúdo que crianças e adolescentes assistem – atenção para conteúdos que propagam ódio e violência
  • Estabelecer limites para uso das tecnologias e equilibrar com atividades esportivas e ao ar livre
  • Sempre instruir sobre não compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais com pessoas desconhecidas
  • Conversar sobre valores familiares e regras de proteção social para uso saudável e construtivo das tecnologias
  • Os adultos também devem dar o exemplo e estabelecer limites para uso de celular durante o período que estão com as crianças; também não é nada positivo ter pais ou cuidadores sempre distraídos. É preciso aproveitar os momentos para conviver

É claro que se pode fazer bom uso das tecnologias e que os danos também dependem de uma complexa interação com outros fatores familiares e emocionais envolvidos.

Cada família deve refletir sobre as recomendações atuais e tentar achar de forma equilibrada, aquilo que funciona melhor para sua realidade.

Porém, independentemente do tempo de uso, os pais devem pensar: por que está sobrando tanto tempo para ficar no celular e no tablet?

Por que esse tempo não está preenchido com brincadeiras, conversa, leitura, ajudar nas tarefas domésticas, dentre outras atividades tão importantes na formação da criança?

O tempo da infância é muito curto e precioso demais para ser desperdiçado.