Mesmo crianças saudáveis terão em alguns momentos episódios de febre, diarreias, quadros gripais, ocasiões em que ficam doentes e deixam seus pais ansiosos com o diagnóstico e tratamento.

Embora o desejo seja o de resolver o problema o mais rápido possível, em caso de problemas de saúde comuns da vida da criança, quase sempre a orientação médica é de evitar idas ao pronto socorro.

A melhor saída em caso de doenças é sempre que possível entrar em contato com o pediatra que acompanha a criança para as primeiras orientações, incluindo avaliação no consultório quando necessário.

Quando devo levar meu filho ao pronto-socorro?

O acompanhamento pediátrico regular faz com que os pais possam reconhecer os sinais de alerta e resolver a maioria dos problemas fora do ambiente hospitalar.

Se já era uma orientação geral levar crianças ao pronto-socorro apenas quando necessário, evitando exposição a outras doenças, imagine agora, quando todos estão com tanto medo de contaminação pelo coronavírus.

Vivemos um momento único de crise na saúde global.

Pela primeira vez na história do Brasil vivenciamos uma pandemia, com orientação de quarentena, isto é, de restrição da movimentação das pessoas, com permanência nas suas residências.

Nessa situação, é natural que todos estejam bastante angustiados com a situação e tentando manter as crianças o mais reservadas possível.

A melhor conduta de prevenção ainda é a que tem sido repetida exaustivamente em todos os meios de comunicação: evitar ao máximo contato social para reduzir as taxas de transmissão do vírus.

No entanto, é preciso que os pais fiquem atentos para algumas situações que devem ser conduzidas com brevidade, para que a criança não corra riscos desnecessários.

Assim como orientamos não levar ao hospital sem necessidade, também não devemos deixar de levar as crianças que realmente precisam.

Nesse momento específico de pandemia, a maioria dos hospitais e clínicas está com reforço nas condutas de prevenção para evitar exposição dos pacientes ao coronavírus.

Quando levar meu filho ao pronto-socorro?

Seguem abaixo situações em que é realmente necessário procurar um pronto-socorro:

  • Vômitos ou diarreia frequentes – se a criança vomita várias vezes, ou tem vários episódios de diarreia em curto período de tempo, provavelmente vai ficar desidratada;
  • Se já apresenta sinais de desidratação: boca seca, poucas lágrimas, diminuição da urina, olhos fundos;
  • Se apresenta sinais de desconforto para respirar – tosse persistente, som estranho ao respirar, rouquidão ou sinal de esforço respiratório (por exemplo, movimentos rápidos da barriga, das costelas, das asas do nariz);
  • Ferimentos grandes, com sangramento intenso, quedas de mais de um metro de altura e/ou com perda de consciência ou vômitos; choque elétrico, queimaduras (veja mais sobre segurança doméstica);
  • Convulsões;
  • Intoxicações: crianças que ingerem acidentalmente medicações, produtos de limpeza devem ser levadas ao hospital. Se for possível, leve o rótulo do produto. Também devem ser levadas sempre que há suspeita de ingestão de corpo estranho (principalmente baterias, pilhas) ou corpo estranho em narinas (não se deve tentar retirar o corpo estranho em casa);
  • Febre: A febre por si só não é motivo de pânico. O ideal é que a criança seja medicada com o remédio que costuma tomar e observada em casa. Mas febre acima de 39º, recorrente, que não passa com o uso de antitérmicos, com a criança abatida mesmo quando a febre passa ou febre por mais de 48h deve ser levada para avaliação. Também deve ser avaliada febre associada a outros sintomas, como vômitos, irritabilidade, sonolência.

Crianças que apresentam doenças crônicas, como paralisia cerebral, anemia falciforme, fibrose cística, devem ser avaliadas mais precocemente, pois têm maior risco de infecções graves.

Quando devo levar meu filho ao pronto-socorro?

O ideal é que sempre seja tentado um contato prévio com o pediatra que faz o acompanhamento regular da criança, que pode inclusive orientar se há necessidade de ir ao pronto socorro ou se é possível esperar em casa.

Mas nem sempre é possível, e ficar atento às situações que indicam maior gravidade evitam perda de tempo na tomada de condutas que podem ser muito importantes para a recuperação da saúde das nossas crianças.