Uma das perguntas mais frequentes na prática do pediatra é: o que fazer para meu filho ter uma boa imunidade? Ou ainda: meu filho adoece muito, será que ele tem algum problema de imunidade?

Os pais de crianças pequenas estão sempre às voltas com essas questões, tanto pelo desconforto de ver seus filhos doentes, quanto pelo desejo de fazer algo que melhore a qualidade de vida da criança.

Como o sistema imunológico funciona? O que podemos fazer para melhorar a nossa defesa contra agentes infecciosos?

O sistema imunológico é um conjunto bastante complexo de defesas do organismo aos agentes infecciosos.

Várias frentes de defesa trabalham juntas e de forma coordenada para garantir o nosso equilíbrio frente aos constantes contatos com vírus, bactérias e demais causadores de doenças.

De forma geral, podemos considerar como partes do sistema imunológico a defesa de barreira (pele, mucosas, microbiota intestinal), defesa inata (inespecífica, ataca qualquer agente que tente invadir) e defesa adquirida (produção dos anticorpos, específicos para os agentes infecciosos), além de alguns órgãos, como timo e amígdalas.

O que fazer para meu filho ter uma boa imunidade?

O amadurecimento das diferentes partes que compõem nosso sistema imunológico não é uniforme ao longo da infância.

Dessa forma, faz parte dos primeiros anos de vida uma maior suscetibilidade às infecções respiratórias e diarreias.

É considerado normal uma média de 6-8 infecções virais por ano, podendo ser um pouco mais em crianças que frequentam creches.

Então, por melhores que sejam as condições de vida da criança, não muda o fato de que seu organismo está em amadurecimento.

Nenhuma solução mágica vai fazer com que a criança não adoeça nunca, embora algumas condutas possam melhorar a saúde e prevenir doenças.

E o que podemos fazer para ajudar o fortalecimento do sistema imunológico? Começa com um bom pré-natal, vacinação adequada da mãe e, de preferência, parto normal, pois já é provado que a colonização pelas bactérias do canal vaginal gera uma microbiota mais saudável para nosso organismo.

Em seguida, aleitamento materno. Nunca é demais repetir a importância do aleitamento materno para a criança, e em relação ao sistema imunológico, o leite materno é rico em anticorpos, que atuam justamente na defesa contra infecções respiratórias.

O colostro, aquele leite dos primeiros dias de vida, é tão rico em células de defesa que é considerado a primeira vacina do bebê.

Somado a isso, o leite se adapta e ajuda o bebê durante quadros de infecção e também ajuda na construção de uma boa flora intestinal, parte importante da nossa imunidade.

Depois, ao longo da vida, é a alimentação variada, rica em proteínas, frutas, legumes que vai dar o combustível para a imunidade.

Quase todos os nutrientes necessários a uma boa imunidade podem ser obtidos a partir de uma alimentação adequada.

A reposição de vitaminas não é necessária para todas as crianças e deve ser feita sempre com orientação médica.

Não podemos esquecer do papel fundamental da vacinação, que permite que o organismo se prepare aos poucos para combater as infecções, pois pode desenvolver uma memória imunológica e para se defender do vírus ou da bactéria sem ficar doente.

Outros aspectos que favorecem a imunidade são sono adequado, brincadeiras ao ar livre, contato com a natureza e um bom ambiente emocional.

Apesar disso, nosso organismo nem sempre é capaz de combater totalmente as infecções, e é natural adoecer de vez em quando.

Grande parte das queixas de infecções respiratórias recorrentes são de crianças sem nenhum problema de imunidade.

No entanto, se as infecções são muito frequentes, ou com evolução mais grave que o esperado, é necessário descartar a presença de outras doenças, como asma ou alergias, ou doenças do sistema imunológico (as imunodeficiências).

Por isso é tão importante o acompanhamento pediátrico regular, para ficar atento e investigar os quadros que merecem atenção especial e também para evitar idas constantes ao pronto socorro reduz o uso desnecessário de antibióticos, o que é prejudicial ao sistema imunológico, por alterar nossa flora intestinal.

Enfim, fortalecer o sistema imunológico depende muito mais de medidas que fortalecem a saúde como um todo do que encontrar soluções mágicas ou fazer uso desnecessário de medicações.

Em alguns casos, o uso de medicações está indicado, mas deve ser prescrito sempre de forma individualizada.

O acompanhamento com um pediatra é fundamental. Alimente bem as crianças e evite a automedicação.