Muito se fala no papel da mãe na amamentação, por motivos óbvios: como é a mãe que amamenta, quanto mais esclarecida sobre a importância do aleitamento materno, maior a chance de que ela consiga amamentar, à despeito da exaustão e das inevitáveis dificuldades desse período mas qual o papel do pai?

Pesquisas mostram que as orientações quanto à importância do aleitamento materno exclusivo e boas práticas de amamentação fazem muita diferença na motivação da mãe em continuar amamentando.

O papel do pai na amamentação

No entanto, pouco se fala sobre o papel de um agente de fundamental importância nesse momento: o pai.

O papel do pai

O papel do pai no início e na manutenção da amamentação, é muitas vezes subestimado.

Porém, quando bem estabelecido, é peça chave para que essa mãe se sinta confiante, valorizada e não sobrecarregada com a demanda tão grande dos primeiros dias e meses.

Não amamentar não quer dizer não cuidar, pelo contrário: há muitas outras atividades que o pai pode fazer para participar desse período tão importante na vida do seu filho.

A curta licença-paternidade brasileira não ajuda, pois em apenas cinco dias os pais já precisam voltar a trabalhar, mas vemos que a questão é mais profunda: vem principalmente da concepção de paternidade, do papel do pai em relação aos cuidados com um bebê.

Felizmente esses conceitos estão mudando e vemos muitos pais engajados e participativos.

Exceto pelo ato de amamentar, todas as outras funções relativas ao cuidado com o bebê podem ser desempenhadas pelo pai.

Dar colo, trocar fralda, colocar para dormir, colocar as roupas para lavar, são tarefas que podem e devem ser compartilhadas. Isso já ajuda a retirar a sobrecarga materna.

Claro que essas atividades também podem ser desempenhadas por outras pessoas, mas o suporte do pai tem um peso maior nesse momento.

O papel do pai na amamentação

No entanto, o apoio mais importante para a mãe nesse momento é outro: acreditar no aleitamento materno, estar ciente da importância de o bebê mamar e ser solidário à mãe durante as primeiras dificuldades, são atitudes fundamentais.

O papel do pai não é ficar impaciente e oferecer mamadeira.

O pai precisa compreender que seu vínculo emocional com a mãe vai ajudá-la a confiar mais nela mesma, muito mais do que qualquer outra pessoa nesse momento.

Buscar informações de qualidade durante a gravidez faz toda a diferença: quando pai e mãe juntos compreendem a importância do aleitamento materno e estão conscientes dos primeiros desafios, é mais fácil manter a amamentação.

Um pai motivado e com conhecimento sobre aspectos práticos da amamentação ajuda a mãe a não desanimar.

Coisas simples, como pegar um copo d’água, arrumar as almofadas para apoiar as costas ou pegar o bebê no berço na madrugada fazem com que a mãe, sentindo o companheirismo paterno, perceba que não está sozinha.

Ajuda muito que pai e mãe possam conversar sobre a nova rotina a partir da chegada do bebê para alinhar as atividades e as expectativas.

Muitos pais não conseguem compreender o quanto é cansativo amamentar e ficar o dia todo envolvida com os cuidados com um bebê pequeno, e isso pode gerar desgaste para o casal.

O papel do pai

Poder conversar claramente e ouvir o que a mãe tem a dizer, sem subestimar as dificuldades, reduz as incompreensões nessa fase e fortalece a nova família.

E por último, mas não menos importante, o pai pode e deve agir como mediador.

Reduzir um pouco as interferências familiares também é um bom papel, enquanto a mãe está passando pelo puerpério e muito suscetível às opiniões e palpites, é um ótimo apoio.

O papel do pai pode filtrar as influências até que a mãe e o bebê encontrem um equilíbrio.