Como enfrentar o isolamento social com as crianças? Estamos enfrentando um período totalmente atípico. Nunca tivemos antes a experiência de isolamento social, suspensão total de atividades escolares e boa parte das atividades profissionais, obrigando as famílias a uma convivência restrita ao ambiente doméstico e muitas vezes restrição da convivência com seus avós, tios, primos e amigos.

E o que é pior, não temos, até o momento, certeza de quando essa situação irá acabar e de quando retornaremos às atividades normais.

Nesse contexto, as crianças, cheias de energia para brincar, representam um desafio extra.

Nem sempre compreendem a necessidade de isolamento e fazem muitas perguntas e pedidos insistentes para sair.

Além disso, dominam boa parte do dia dos pais, que também estão tentando conciliar o serviço doméstico, atividades profissionais e sua própria angústia nesse contexto.

O que fazer para que esse período seja menos angustiante para pais e filhos?

A primeira coisa é explicar o que está acontecendo, de maneira simples. Estar atentos aos sentimentos delas, ouvir o que elas têm a dizer e quais suas dúvidas.

As crianças, mesmo as pequenas, sabem que há algo de errado acontecendo, e precisam entender, dentro das suas possibilidades, os motivos de estarem em casa, sem suas atividades.

Como enfrentar o isolamento social com as crianças?

Por outro lado, é importante filtrar as informações, inclusive para os pais – o excesso de informação, com a televisão da casa o tempo todo passando notícias e comentários sobre a pandemia, cria um clima de muita tensão para os pais e para as crianças, especialmente as maiores, que acabam captando algumas dessas informações sem ter como resolvê-las.

Também é muito saudável ter uma rotina.

Não é necessário estabelecer uma estrutura rígida, mas criar uma certa estrutura no dia, com horário para acordar e dormir, horários de refeição, banho, brincadeiras, ajuda a manter o equilíbrio e evita desgastes desnecessários.

Para crianças que ainda não sabem ver horas, escrever a ordem das atividades já ajuda a manter a tranquilidade.

Algumas crianças continuam tendo atividades da escola, outras já estão de férias. Seja como for, embora as atividades intelectuais sejam importantes, não é hora de cobranças.

Estamos em um período atípico, portanto o rendimento não deve ser o mesmo, nem para os adultos.

Então, mais importante que a aprendizagem, é manter a saúde mental e a boa convivência.

O uso da tecnologia, nesse momento, está naturalmente aumentado.

Podemos inclusive fazer um ótimo uso dela, aproximando os familiares que estão distantes, fazendo reuniões virtuais com os amiguinhos, dentre outros.

Muitos canais culturais e de atividades educativas para crianças estão disponibilizando suas programações gratuitamente nesse período, dando acesso a ótimas experiências para adultos e crianças.

Mesmo assim, o período de quarentena não deve ser justificativa para passar o dia inteiro usando tablets, celulares e vídeo games – cada família precisa pensar e definir quanto tempo as crianças vão poder usar durante o dia, qual a hora de parar e as alternativas para depois que acabar o tempo dos eletrônicos.

Essas alternativas podem e devem ser definidas junto com as crianças, como brincar com brinquedos, atividades físicas dentro de casa (quem tem alguma área externa disponível deve aproveitar bastante), desenhar, pintar, ler, dentre outros.

Atividades que podem ser feitas em conjunto ajudam a distrair e a aproximar a família.

Mesmo assim, o tédio será inevitável em alguns momentos, e faz parte do crescimento aprender a lidar com esses sentimentos.

Também não é necessário que os pais fiquem o tempo todo à disposição das crianças, criando distrações e atividades ou presentes em todas as brincadeiras.

É lógico que crianças precisam de muita atenção e provavelmente a produtividade dos pais também não terá a mesma trabalhando em casa, mas a organização da rotina permite que em alguns momentos as crianças estejam brincando apenas supervisionadas, sem a participação direta dos adultos.

É uma ótima oportunidade para que crianças de todas as idades participem mais ativamente das atividades domésticas, entendam o funcionamento da casa, e ajudem no cuidado com elas mesmas, estimulando sua autonomia, desde que observadas as condições de segurança.

Como enfrentar o isolamento social com as crianças?

Apesar do momento desafiador que estamos vivendo, devemos encarar esse período como uma possibilidade de parar um pouco, conviver, ver as crianças de perto, brincar com elas, comer juntos, valorizar as coisas mais importantes.

E quando chegar ao fim dessa quarentena também teremos alguns momentos bons para lembrar.