A chegada do segundo filho à família é um período de muita alegria e expectativas, mas também de vários ajustes na vida familiar, com implicações tanto para o primogênito quanto para os pais.

Se, por um lado, os cuidados com o bebê parecem mais fáceis para os pais, que já contam com a experiência do primeiro filho, por outro lado, a chegada do segundo filho exige uma reorganização da estrutura familiar e acarreta consequências diretas na interação pai-mãe-criança, na rotina de cuidados destinados ao primeiro filho, assim como as adaptações dessa criança à chegada de um irmão, que irá dividir com ele as atenções de seus pais e demais familiares.

A chegada do segundo filho

As mudanças decorrentes da chegada do segundo filho já ocorrem desde a gravidez e estão relacionadas a muitas variáveis pessoais, sociais e relacionais, à harmonia conjugal, nível sócio econômico familiar, bem como rede de apoio parental que já se apresentava ao primogênito.

A chegada do segundo filho implica na reorganização dessas estruturas para cada um de seus membros, uma vez que modifica as trocas afetivas e interações familiares.

Na literatura científica há vários artigos que investigam o impacto da chegada de um irmão para o primogênito e para a relação mãe e filho, e é importante estudar o assunto, para podermos compreender as mudanças familiares positivas e/ou comportamentos regressivos apresentados e auxiliar nesse momento tão delicado para as famílias.

Há grande mudança na rotina da casa com a chegada do segundo filho.

O cansaço é multiplicado, considerando-se que a mãe precisa estar disponível às necessidades primárias do bebê e também redistribuir seu tempo para atender às necessidades do primeiro filho, além das suas próprias necessidades.

A transição de tornar-se mãe de dois filhos desencadeia diversos sentimentos.

Dentre estes, é possível apontar a preocupação com a perda da relação especial da mãe com o filho único, busca de aceitação do bebê pelo primogênito, temores sobre a inserção do novo bebê no ambiente familiar, bem como da ambivalência em dar conta de amá-lo da mesma forma que ao mais velho.

Uma das grandes preocupações maternas é a aceitação do irmão pelo primogênito, o que costuma demandar bastante energia.

A rede de apoio dada a essa mãe é fundamental para que ela consiga estar disponível para as crianças e permanecer emocionalmente bem, apesar do cansaço e dos desafios desses momentos.

A maior interação da criança mais velha com o pai e demais familiares pode ser muito positiva.

Receber um novo irmão sempre representa uma mudança importante na vida de uma criança.

As crianças costumam ficar felizes com a perspectiva de um companheiro para brincar, mas ainda assim, muitos têm reações de estresse como aumento no comportamento de confrontação e agressividade com a mãe e com o bebê, problemas no sono, hábitos de alimentação e higiene, aumento nos comportamentos de dependência, demanda e regressão.

É fácil perceber choro, vontade de ser alimentado, carregado, desejo de dormir com os pais, especialmente após as primeiras semanas do nascimento.

A intensidade desses comportamentos é muito variável conforme o bem-estar conjugal e materno, o apoio parental oferecido ao mais velho. 

Em geral, crianças em idade pré-escolar apresentam maior dificuldade de adaptação, por suas capacidades de expressão verbal serem menores, resultando em comportamentos muitas vezes de manha, birra e regressões.

É fundamental acolher esses sentimentos, fazer com que a criança saiba que pode ser ouvida e compreendida nesse momento de ciúme.

É importante que a família não passe a exigir da criança um comportamento mais “adultizado” do que o esperado.

Como criança, é natural ter ciúmes, não querer participar do cuidado com o irmão algumas vezes e as disputas por espaço fazem parte das relações normais entre irmãos.

Não há como evitar o estresse de uma criança quando um irmão vai chegar, mas o envolvimento nas atividades de preparação durante a gestação e participação dos cuidados com o bebê e a tentativa de preservar as rotinas diárias podem facilitar o ajustamento e minimizar as reações emocionais do primogênito.

Com amor e paciência, aos poucos a família se conhece e se adapta à nova rotina. E aí, quem sabe não vem o terceiro filho?